terça-feira, janeiro 31, 2006




Se eu tivesse que recuar uma milha
Se eu tivesse que tocar sentimentos
Eu perderia minha alma
Do meu jeito

Não tenho que pensar
Só tenho que fazer
Os resultados são sempre perfeitos
Mas isso não é novidade

Você gostaria de ouvir minha voz
Adocicada pela emoção
E inventada em seu nascimento?

Eu não consigo ver onde eu acabo
Minha extensão não dá pra eu enxergar
Eu formulo o infinito
E guardo bem dentro de mim

Oh, Me
Meat Puppets

terça-feira, janeiro 17, 2006

Desconfio.

A verdade absoluta é a coisa mais volátil que existe. O que era verdade há 100 anos hoje é piada. A verdade muda sob nossos olhos a cada segundo. E sempre tenho vontade de rir quando alguém diz que tem certeza. Talvez a única verdade seja que a verdade não existe!

Há 600 anos, se um extraterrestre se comunicasse com um europeu, ele diria que o lugar onde ele vivia era uma terra chata, com um abismo sem fim depois de muitos mares! Lá também se encontrava uma criatura marinha que devorar todos os que ousassem se aproximar do abismo. Esta era a verdade dele, hoje é piada.

O ser humano, o pobre ser humano, nada mais faz do que recolher impressões pessoais sobre as coisas. Cores, cheiros, gostos só existem porque o espírito humano transforma tudo em poesia. Se não fosse assim, o mundo seria só um amontoado de moléculas. Arvores, bichos, chuva... Só um monte de matéria sem sentido. A única coisa que torna o mundo bonito é a nossa capacidade de criar beleza.

A boa poesia, a boa obra de arte é aquela em que você pode jogar as suas experiências e transformá-la em uma coisa só sua, única. Leia Drummond: parece que ele escreveu pra você! Veja um Monet: os detalhes estão em sua mente.

Eu desconfio de pessoas que monopolizam a verdade. Elas se fecham. Nossa visão do mundo é parcial. Nós somos pobres de sentidos. Enxergamos mal. Sentimos mal. Desconfio. Desconfio de contatos com o além. Se eu estou perdido, se eu não sei nada, quem pode me garantir que eles sabem alguma coisa?

quarta-feira, janeiro 11, 2006


Quem carrega o olhar de criança que tocou o mar com os pés pela primeira vez? Quem carrega o sorriso da descoberta? Quem se abre ao novo como quem está em queda livre?

Não há paixão vã. Não há como compensar a falta. Não há como conter o carinho, a vontade de te carregar comigo.

Em todos os lugares onde descubro algo novo, ainda procuro teu suspiro de admiração. Teu suspiro tem o poder místico de tornar as coisas instantaneamente mais leves.

Se estiver sol ou nublado, se um dia eu vir a neve. Quem me garante que terei outros pensamentos? Quem me garante que não vou te procurar pra contar? Não me condene: é o hábito. Estou tão habituado a compartilhar minha vida contigo que é natural ter a impressão que vou te ter sempre por perto. Já sei que isto não faz sentido. Aliás, há tempos isto não é verdade. Mas o que posso fazer se tudo que eu buscava era teu suspiro de surpresa?

É árdua a procura pro alguém sem palavras proibidas. Sem superstições ou hábitos sem sentido. Alguém pra comentar o livro ou ouvir a música. Olhar de criança. Gente que não perde tempo tentando fingir que amadureceu. Vamos lá. O sol esta batendo num lugar diferente. Descobri como os corpos celestes se atraem! Estou aprendendo Kanji e Árabe! Vem comigo, vamos ao templo com Platão. Não vamos perder tempo vendo a discussão entre Marx e Smith.
Isto é um buraco negro. Tão pesado que não há como escapar. Nem com a ajuda de Drummond ou Charlie Brown. Ouça a música, ouça a música:


“We nerver change, do we? We nerver learned to live!”.

sexta-feira, janeiro 06, 2006


Que sina estranha. Que ordem inversa. Estou com fome demais pra me lamentar. Meus olhos procuram coisas fáceis. É o cansaço de uma procura sem fim. Quando me disseram que a escolha do pior caminho ia ter recompensas, eu empenhei minha fé! E lá ela permanece.

Mas, juro mesmo: eu sou quase um covarde. Eu quase me vendo em troca de alguns trocados ou alguma felicidade frívola. Ofereça-me seu sorriso, que eu simplesmente não pensarei duas vezes: deixarei todos os princípios de lado, só pra compartilhar do sorriso com você.

Está é a ordem inversa do fraco. Embora eu saiba que “fugir não é o caminho mais seguro”, embora eu sempre bata de frente, encare, lute, sangre até meus ossos secarem, tenho vontade de largar tudo. Em troca de algumas migalhas de felicidade.

Estou em época de guerra. Falta tudo. Amigos longes. Carregaram consigo todas as ilusões de tranqüilidade. Eu vou me debatendo tranquilamente. Rindo das ironias da vida, de como ela segue um padrão bizarro.

Por estas horas, se não fosse a vida, eu estaria bem. Eu poderia ter um apartamento vazio, sonhos vazios, um sorriso de quem estourou o limite do cheque especial, de quem se vangloria da intimidade com o gerente do banco.

Eu poderia estar satisfeito por ser vazio. Por não criar expectativas nem planos. Mas eu crio... Eu sempre crio. Eu troco meus ideais pelo seu sorriso! Só! Me vendo fácil. Eu me entrego a inveja dos medíocres. Sou só um invejoso. Um destrutivo. Mas não quero ser. O que é melhor? Esperança que machuca de vez em quando ou a praticidade de um espírito vazio?


Ela cuidou dele, ah, a noite toda...
Eu não estava certo de que ela queria que ele ficasse...
O que dizer? O que dizer?
Mas logo ela estava triste. Logo ele estava cansado.
Nos três meses que se passaram. Um não sagrado.
Ela teve que se virar.

Quando ela não pode mais suportar, ah, ela se dobrou.
Um dissidente está aqui!
Fugir nunca é o caminho mais seguro.
Ah, uma dissidência... Um dissidente esta aqui.

E para este dia ela rastejou.
Sempre em casa mas tão distante.
Como uma palavra errada. Nada dito, um disperdicio.
Mas quando ela tomou contato com o conflito.
Fazia sentido, mas ela o vendeu ao estado.
Ela teve que se virar.

Quando ela não pode mais suportar, ah, ela se dobrou.
Um dissidente está aqui!
Fugir nunca é o caminho mais seguro.
Ah, uma dissidência... Um dissidente esta aqui!

Ela o entregou quando não pode mais suportar.
Ela se dobrou.
Um dissidente está aqui!
Ah, ela não aguentou. Ela não aguentou. Não, ela se dobrou.
Um dissidente está aqui!
Fugir nunca é o caminho mais seguro.
Ah, um dissidente está aqui.
Pearl Jam, Vs. , Dissident

quarta-feira, janeiro 04, 2006


Seus olhos queriam tocar meu espirito, sugando lentamente cada manifestação de contentamento. Usando uma raiva inventada pra matar um amor que não conseguia dominar. Até nas mínimas respirações via motivo de ira. Mentira. Tudo mentira. Buscava com todas as forças apagar as marcar que ficaram. Eram marcas de arado. Não era um sopro que poderia desfazer.

Atos falsos de amores inventados. Inventando uma história, como esta, pra ser sua. Cada um inventa sua história, mergulha e vive nela. Até não poder mais respirar.

É sempre assim. É pra vida toda, Sempre é tarde demais. Sempre provando ser forte e matando sua própria felicidade só para manter o orgulho. Mas orgulho não nivela o rosto. Orgulho não faz brilhar o olhar. Pelo contrario: só faz cultivar amarguras. Até ser tarde demais.


Quando passar. Quando tudo isto passar de novo, quero que ainda sobre tempo pra rir. Na minha mente, tenho muito tempo. Tenho sorte. Ainda espero construir, mudar tudo. O tempo. Meu tempo eu aprendi com Einstein. Ele quase pára, pois meus pensamentos viajam a velocidade da luz.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Daqui se vê até onde as nuvens alcançam. Até o horizonte, em camadas. Dá pra ver o vento levando as de baixo, empurrando mais rápido. A rua aqui em frente parece bem maior e mais larga daqui de cima. É bom quando as ilusões deixam as coisas mais bonitas.

Até que temos sorte. A vista é legal. Não tem aquele mar de prédios que deixa tudo igual. Tudo esta no seu lugar. Uma obra, o verde da praça, depois uma depressão, e as casas no fundo, até bem lá em cima.

Acho que tenho que agradecer por ter tempo agora de notar estas coisas. São coisa bestas. Podem até ser ridículas. Mas garanto que muita gente perde muito mais tempo com pequenas coisas, muito mais estúpidas.

Houve um tempo em que isto era importante. O homem deitava no chão de dia pra ver as nuvens, e a noite pra contar estrelas. Das nuvens ele inventava histórias, pelas estrelas ele sabia onde estava.

Traçava suas ruas pelo sol e pela lua. E se importava.

Ele tinha o respeito das pessoas, e respeito pelo mistério. Coisa rara hoje.