Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

Daqui se vê até onde as nuvens alcançam. Até o horizonte, em camadas. Dá pra ver o vento levando as de baixo, empurrando mais rápido. A rua aqui em frente parece bem maior e mais larga daqui de cima. É bom quando as ilusões deixam as coisas mais bonitas.

Até que temos sorte. A vista é legal. Não tem aquele mar de prédios que deixa tudo igual. Tudo esta no seu lugar. Uma obra, o verde da praça, depois uma depressão, e as casas no fundo, até bem lá em cima.

Acho que tenho que agradecer por ter tempo agora de notar estas coisas. São coisa bestas. Podem até ser ridículas. Mas garanto que muita gente perde muito mais tempo com pequenas coisas, muito mais estúpidas.

Houve um tempo em que isto era importante. O homem deitava no chão de dia pra ver as nuvens, e a noite pra contar estrelas. Das nuvens ele inventava histórias, pelas estrelas ele sabia onde estava.

Traçava suas ruas pelo sol e pela lua. E se importava.

Ele tinha o respeito das pessoas, e respeito pelo mistério. Coisa rara hoje.