
Que sina estranha. Que ordem inversa. Estou com fome demais pra me lamentar. Meus olhos procuram coisas fáceis. É o cansaço de uma procura sem fim. Quando me disseram que a escolha do pior caminho ia ter recompensas, eu empenhei minha fé! E lá ela permanece.
Mas, juro mesmo: eu sou quase um covarde. Eu quase me vendo em troca de alguns trocados ou alguma felicidade frívola. Ofereça-me seu sorriso, que eu simplesmente não pensarei duas vezes: deixarei todos os princípios de lado, só pra compartilhar do sorriso com você.
Está é a ordem inversa do fraco. Embora eu saiba que “fugir não é o caminho mais seguro”, embora eu sempre bata de frente, encare, lute, sangre até meus ossos secarem, tenho vontade de largar tudo. Em troca de algumas migalhas de felicidade.
Estou em época de guerra. Falta tudo. Amigos longes. Carregaram consigo todas as ilusões de tranqüilidade. Eu vou me debatendo tranquilamente. Rindo das ironias da vida, de como ela segue um padrão bizarro.
Por estas horas, se não fosse a vida, eu estaria bem. Eu poderia ter um apartamento vazio, sonhos vazios, um sorriso de quem estourou o limite do cheque especial, de quem se vangloria da intimidade com o gerente do banco.
Eu poderia estar satisfeito por ser vazio. Por não criar expectativas nem planos. Mas eu crio... Eu sempre crio. Eu troco meus ideais pelo seu sorriso! Só! Me vendo fácil. Eu me entrego a inveja dos medíocres. Sou só um invejoso. Um destrutivo. Mas não quero ser. O que é melhor? Esperança que machuca de vez em quando ou a praticidade de um espírito vazio?

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