quinta-feira, dezembro 29, 2005


Acho curioso quando alguém diz que tomou uma decisão vital pra si. Quando diz que mudou seus sentimentos. Quanto tenta se enganar, repetindo um mantra triste: “Não sinto nada... Não sinto nada...”

Juro que gostaria de acreditar. Mas já foram tantas as vezes em que vi alguém voltar atrás por um único olhar. Eu desisti desta vida de esquecer. Eu sinto o que está dentro de mim, e pronto. Só vai mudar quando tiver que mudar. Mas não vou gastar nenhuma energia pra isto. A força que se faz tentando convencer a você e a todos de que você é um novo homem, frio e isento de sentimentos, é muito maior do que a simples vontade de ser feliz.

Eu, sinceramente, tenho muita vontade de ser feliz. E agora deixo a cargo do tempo a responsabilidade por isto. Viver a vida é a única maneira de deixar com que as coisas aconteçam, de forma natural. Não procuro mais, e não me engano mais. Sentir é assim. É como um órgão dentro de você. É melhor não tirar de lá.

“Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.”

quarta-feira, dezembro 28, 2005



Então eu nunca tinha notado que o sol batia naquela parede. Há dois anos estou aqui, e só agora prestei atenção nisto. Ou eu mudei, ou mudou o sol.

Na verdade, há um ano, estava muito preocupado com medos pouco importantes que eu achava de importância vital. É comum o medo te deixar cego para as coisas que realmente fazem diferença na sua vida. A insegurança me deixou cego pra ver que eu tinha do meu lado tudo que eu precisava.

Engraçado pensar que só percebi isto quando tudo queimou. Minhas memórias, algumas fotos, as coisas que escrevi. Dai, fiquei muito ocupado sendo prático. Substitui todo o medo que eu tinha por um senso frio de praticidade. E mais uma vez, deixei de perceber que tinha do meu lado tudo o que precisava.

Entendo perfeitamente que é tolice ficar buscando fora de mim uma explicação matemática para tudo isto. Agostinho, o Tao Te Ching e mais de oito mil anos de sofrimento humano escrito já são suficientes pra saber que lamentar é uma tremenda perda de tempo. Mas eu também quero contribuir com algumas linhas.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Tudo bem, dói do mesmo jeito. Só que desta vez eu não vou deixar morrer. Eu vou deixar um pedaço de brasa acesa. Eu criei tanta dor para apagar o sentimento que acabei deixando de ser aquilo que eu mais gostava de ser: um crédulo. Deixar morrer o amor e a fé fizeram com que a dor falsa fosse trocada por uma dor verdadeira, agora cultivada e adubada por uma série de rancores e arrependimentos. O tempo não volta, portanto, vou manter a brasa acesa. Ela, ao menos vai me manter aquecido, a espera de alguém que possa me dar um pouco de fôlego pra fazer alguma luz.