terça-feira, janeiro 17, 2006

Desconfio.

A verdade absoluta é a coisa mais volátil que existe. O que era verdade há 100 anos hoje é piada. A verdade muda sob nossos olhos a cada segundo. E sempre tenho vontade de rir quando alguém diz que tem certeza. Talvez a única verdade seja que a verdade não existe!

Há 600 anos, se um extraterrestre se comunicasse com um europeu, ele diria que o lugar onde ele vivia era uma terra chata, com um abismo sem fim depois de muitos mares! Lá também se encontrava uma criatura marinha que devorar todos os que ousassem se aproximar do abismo. Esta era a verdade dele, hoje é piada.

O ser humano, o pobre ser humano, nada mais faz do que recolher impressões pessoais sobre as coisas. Cores, cheiros, gostos só existem porque o espírito humano transforma tudo em poesia. Se não fosse assim, o mundo seria só um amontoado de moléculas. Arvores, bichos, chuva... Só um monte de matéria sem sentido. A única coisa que torna o mundo bonito é a nossa capacidade de criar beleza.

A boa poesia, a boa obra de arte é aquela em que você pode jogar as suas experiências e transformá-la em uma coisa só sua, única. Leia Drummond: parece que ele escreveu pra você! Veja um Monet: os detalhes estão em sua mente.

Eu desconfio de pessoas que monopolizam a verdade. Elas se fecham. Nossa visão do mundo é parcial. Nós somos pobres de sentidos. Enxergamos mal. Sentimos mal. Desconfio. Desconfio de contatos com o além. Se eu estou perdido, se eu não sei nada, quem pode me garantir que eles sabem alguma coisa?